
“O Homem sonha e a Obra nasce “
( António Gedeão)
Foi assim que aconteceu com os “sonhos” que sonhou o nosso saudoso Padre Manuel Marques. Alguns, conseguiu-os realizar, com Deus a iluminar os seus pensamentos.
“ I Have a Dream” terá sido certamente o que o norteou, inspirado, porque não, pelo silêncio místico da Serra da Arrábida, propício ao recolhimento e à meditação, pois dela não se apartou, recolhido no Convento, em longas conversas com Deus e com a bela serra, também ela de Sebastião da Gama.
Em 1987, já como capelão do Hospital de São Bernardo, sonhou poder ocupar um lugar deixado em branco na Medicina, fruto das novas tecnologias, (que em boa hora têm surgido para o bem do doente) e pôde, com um grupo de sete senhoras,(visitadoras) que o então capelão conseguiu reunir, dar início à sua Obra.
Assim pôde a Humanização Hospitalar ser preenchida por este grupo de voluntários, jovens e menos jovens, que numa dádiva total se comprometeram a amar, falar, respeitar o silêncio, ouvir os doentes que se encontravam sós, fragilizados, receosos pelo dia que se seguiria, quer estivessem numa cama ou numa sala de espera.
Mais tarde empenhou-se em utilizar os meio audiovisuais, sempre para o bem do doente. Assim, através de sistemas sonoros ( colocados em todos os quartos e enfermarias), duas vezes por semana brindava os doentes com música popular portuguesa, anedotas e adivinhas. Era o “Cantinho do Doente” que proporcionava notícias dos e para os doentes e seus familiares, numa comunhão de espiritualidade, amor e piedade. Tudo foi feito a pensar no doente e na melhoria das suas condições, quer físicas, quer psicológicas.
Um grande abraço que inclui médicos, enfermeiros e outro pessoal que, de uma maneira ou de outra, diariamente envolvem esforços para erradicar doenças do corpo.
Mas o “sonho “ do Padre Marques não se esgotou; pouco depois imaginou a publicação de um Boletim interno que desse a conhecer as “Batas Amarelas” e a sua acção junto dos doentes.
Foi então que um grupo de pessoas de boa vontade levaram a bom termo mais esse “sonho” e hoje, passados que são 11 anos, desde a sua primeira tiragem, o Boletim mensal, também por sugestão do seu fundador, baptizou-se de Mensageiro, continua a circular gratuitamente pelos vários serviços Hospitalares e chega , também, a outros locais da cidade e até do país.
O “sonho” do nosso fundador contagiou os voluntários e, mais tarde, surgiu uma publicação anual gratuita, que já vai na 7ª edição, que divulga as acções decorridas durante o ano, de todos os que escolheram esta missão, promovendo e reconhecendo o seu trabalho, no sentido de encorajar e influenciar os leitores que se sintam vocacionados a tão gratificante desempenho.
E, o nosso fundador, lá, onde está, continua o seu “sonho” e foi através de “um sonho” que neste mês de Fevereiro, decorridos que são 3 anos após a sua partida, este Blog nasceu para dar continuidade à sua Obra.
Contamos com a colaboração de todos os voluntários, e não só, para que possamos divulgar o espírito de bem fazer que norteia esta comunidade e de continuar a enriquecer o espólio humano que dia a dia, semana a semana, ano após ano, cresce como uma onda, ela própria, Mensageira de Esperança e de Fé.
Neste momento o Corpo de Voluntariado da LAHSB conta com cerca de 200 voluntários, que dedicam parte do seu tempo, espontaneamente, cujo lema é :
Ser Voluntário é“Dar Sem Esperar Receber”
A Voluntária,
Sónia Maria Madeira Rodrigues
( excertos do livro anual do voluntariado 2003/2004
Este Blog foi possível graças à prestimosa colaboração de Luís Miguel Trindade.