Por: Ana Teresa Garcia
Voluntária no serviço
Obstetrícia
Os primeiros passos foram dados e constituiu uma experiência inesquecível tanto para profissionais como para os pais e bebés, segundo nos referiu o enfermeiro Vítor Varela. Foi um processo em que o casal participou activamente, com calma, com relaxamento e com muita satisfação. Com aumento da elasticidade na área pélvica permitindo que a expulsão se desenrole mais devagar, reduzindo a necessidade de a grávida fazer força. Este foi o tema de conversa com o enfermeiro Victor.
Voluntária Ana Teresa (AT): Sentiu que a equipa estava preparada e que soube responder adequadamente ao desenvolvimento do parto?
Enfermeiro Victor Varela (VV): Sim claro. A condução do trabalho de parto foi muito enriquecedora tanto para a utente como para os profissionais. A formação actual pós Licenciatura em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia, habilita o enfermeiro obstetra a promover e efectuar o trabalho de parto e parto de forma natural. A equipa do Bloco de Partos do Hospital de S. Bernardo elaborou um projecto no âmbito da promoção do parto normal, utilizando os benefícios da imersão da parturiente na água durante a fase activa do trabalho de parto. Este trabalho foi discutido em vários encontros nacionais e internacionais, trocaram-se
experiências com outros grupos de obstetras com experiência e outros com projectos de interesse comum.
Eu próprio como membro da Conferência Internacional de Parteiras (ICM) participei em vários workshops em locais onde se pratica o parto na água e onde os conceitos essenciais são a exploração de métodos não farmacológicos de alivio da dor, pelo facto de serem mais seguros e acarretarem menos intervenções dos profissionais de saúde, que os métodos farmacológicos tal como preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e a ICM.
AT: Depois da primeira experiência, outros casais já mostraram interesse em terem um parto na água?
VV: Sim. Recorreram aos nossos serviços, 12 casais que solicitaram e escolheram esta metodologia.
AT: Acha que esta prática poderá vir a ser instituída regularmente, no Hospital de S. Bernardo?
VV: Esta resposta terá de ser multidisciplinar, mas do meu ponto de vista, estou convencido de que poderemos lá chegar, com posições equilibradas, com compromissos assumidos por todos e a massa critica suficiente para desenvolver o processo.
AT: Que condições físicas o hospital possui para a realização do trabalho de parto na agua?
VV: Esta metodologia é desenvolvida na Sala de Partos com banheira descartável, não reutilizável.
AT: Como deve proceder o casal que pretende usufruir desta experiência? Deslocar-se ao hospital ao Serviço de Obstetrícia e Sala de Partos, aceder através dos Centros de Saúde?
VV: Deve deslocar-se ao hospital, ao Bloco de Partos e esclarecer-se com os profissionais.
AT: Qualquer parto pode ser feito na água? Há contra indicações?
VV: Não, efectivamente a mulher grávida, para usufruir desta metodologia, tem de ter acompanhamento pré-natal, aparentemente sem risco de patologia associada conhecida, diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade, ou patologias especificas da gravidez como prematuridade, restrição de crescimento intra-uterino e outras. Deve ter tido, além de acompanhamento pré-natal adequado, com exames analíticos e ecograficos, a frequência de aulas de preparação para o parto e esclarecimento de dúvidas atempadamente.
AT : Muito obrigada pela sua explicação que nos permite divulgar e clarificar uma metodologia aberta à mudança de um nascimento que decorre quase por si próprio, com menos intervenção técnica e em que, a mulher em trabalho de parto, não se sente hospitalizada e sim confortável, confiante e segura.
Constitui ainda, um momento de extrema importância para o casal que o idealizou íntimo e personalizado e o capacita para a vinculação com a criança.